Itsuka (um dia desses) By-Lia.

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segunda-feira, dezembro 17, 2007

As tradições de um país e a prática do budismo

As tradições natalinas
(como agir, comportar, etc)

Entendendo a época e o país, como responder às inúmeras indagações sobre comemorar ou não o Natal?
Enfim, como se relacionar com essas tradições?
Podemos ter árvore de Natal em casa? Podemos trocar presentes?
A árvore de Natal e as festas natalinas são preparadas para comemorar o nascimento de Jesus Cristo. Há a tradição do chamado amigo secreto (ou amigo oculto para alguns outros estados do país), em que se realiza trocas de presentes. Segundo dizem, isso serve para relembrar os três reis magos.
Tratam-se de tradições arraigadas na cultura social do país, no qual convivemos e exercitamos nossa fé, e muitos de nós viemos dessa base cultural. Ofendê-la seria não aceitar os próprios preceitos budistas. Cientes dessa premissa e conscientes de que nossa grande batalha na prática da fé está em saltarmos dos seis estados de vida inferiores (Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranqüilidade Alegria) para os quatro nobres caminhos (Erudição, Absorção, Bodhisattva e Buda).
É nesse sentido que podemos afirmar: não basta recitar Daimoku, é importante praticá-lo com consciência em nosso cotidiano. Então, além de recitar é importante que tenhamos uma postura sábia e o desejo de melhorar o mundo, partindo de uma atitude adequada ao momento em que vivemos baseados no respeito máximo para com a pessoa humana.
É por esse caminho que o fato de meramente atendermos à tradição de algum parente que mora conosco e que não é praticante do budismo e permitir que ele monte uma árvore de Natal não é, por si, uma causa negativa.
Numa outra situação, se você é o único praticante do budismo e tiver de participar de festas familiares com tradição cristã, também não há aí nenhuma infração aos preceitos budistas. Obviamente que seria extraordinário que praticássemos sem a influência de outras tendências filosóficas. No entanto, o bom senso na interpretação da sociedade e da época é fundamental para um convívio saudável e manutenção do entendimento. O mesmo raciocínio pode e deve ser aplicado à participação em cerimônias religiosas tal como o casamento de amigos de outras religiões.
Continuando o assunto, vejamos o que cita a parte do editorial do Brasil Seikyo nº. 1678 de 7 de dezembro de 2002:
As tradições natalinas
Embalados pelo poder da mídia, as pessoas, e nisso inclui-se as crianças, se vêem facilmente influenciadas por apelos comerciais que procuram atrair a atenção valendo-se dos mais variados artifícios, entre eles os emocionais. E isso é especialmente notado nesta época de festas. Tendo isso como premissa, vale lembrar dois pontos relacionados às tradições natalinas.
O primeiro é que, exatamente por ser uma filosofia de paz e respeito ao semelhante, o budismo traz em sua essência a prática de respeitar as tradições e culturas de um povo ou sociedade. Isso fica bem claro, por exemplo, quando Nitiren escreve: “Quando examinamos cuidadosamente os sutras e tratados, constatamos a existência de um princípio conhecido como ‘seguir os costumes da região’ que diz respeito a isso. Esse preceito significa que, enquanto não implicar em nenhum ato ofensivo, então mesmo que se tenha de adaptar um pouco os ensinos budistas, é melhor evitar ir contra os hábitos e costumes do país. Este é um preceito exposto pelo Buda.” (Os Escritos de Nitiren Daishonin, vol. 1, págs. 183–184.)
Dessa forma, conclui-se que casos como respeitar outras cerimônias e tradições religiosas, ou mesmo um budista aceitar que, por exemplo, um parente não-budista que conviva junto, monte uma árvore de natal, incluem-se nesse conceito.
Por outro lado, pelo fato de o Natal e todas as suas manifestações (árvores, enfeites de Natal etc.) serem tradições essencialmente cristãs, é um contra-senso uma família budista adotar essas tradições como sua, mesmo que temporariamente.
Quando iniciou suas viagens ao exterior, o presidente Ikeda comentou certa ocasião: “A nossa cultura ou modo de vida está sempre relacionado a alguma religião. Por exemplo, o fato de quase todas as empresas não trabalharem aos domingos tem origem no cristianismo, que estabeleceu o domingo como um dia de descanso. Mas, se por causa disso ficarmos falando que descansar aos domingos é uma heresia, não será mais possível viver em sociedade. Além disso, muitas músicas e pinturas receberam uma forte influência religiosa. Entretanto, apreciar a arte é diferente de crer num determinado ensino religioso... Se o ato de professar a fé constituir-se num impedimento para apreciar a arte, isso será como negar a própria natureza humana.” (Nova Revolução Humana, vol. 1, pág. 36.)
Em suma, vale sempre o uso do bom senso para discernir entre respeitar outras tradições e culturas e simplesmente adotá-las.
Fonte:
Editorial do Brasil Seikyo nº. 1726 de 6 de dezembro de 2003
parte do editorial do Brasil Seikyo nº. 1678 de 7 de Dezembro de 2002
EPV De Antônio Nakamura.